"Aqui está minha vida. Esta areia tão clara com desenhos de andar dedicados ao vento. Aqui está minha voz, esta concha vazia, sombra de som curtindo seu próprio lamento Aqui está minha dor, este coral quebrado, sobrevivendo ao seu patético momento. Aqui está minha herança, este mar solitário que de um lado era amor e, de outro, esquecimento".

Friday, January 15, 2010

Selva de Pedra

Os competidores parecem mudar de máscara a todo tempo,mas o objetivo nunca muda:ganhar.Ainda que não encarem como um jogo, ainda que não ganhem absolutamente NADA ,precisam mostrar a quem quiser ver que tem alguém abaixo deles.
Competidores estão em todos os lugares, competidores não têm consciência de si, competidores são tão engraçados. É tanta a graça que nem se percebe que aquilo deixa alguém triste.É tão engraçado que nem se percebe que a frustração que eles proporcionam é o que amputa a alma das pessoas.E para isso não há prótese que sirva.É claro que a vida precisa de leveza,sorrisos e distração.
Mas o que eu vejo é que muitas vezes a futilidade é remédio para o tédio do dia a dia,até o ponto que as pessoas se tornam rasas demais.Me parece que há um prazer irresistível em humilhar os outros,em exaltar seus defeitos.A internet está cheia disso,e aí não há quem escape: de famosos a anônimos, quem cometer qualquer deslize vai pagar.Como se fossemos todos seres impecavelmente perfeitos,sempre encontramos tempo de sobra para apontar as falhas dos outros.É que por trás de todo competidor,tão valioso com sua competência,está(além de sua soberba) o seu preconceito velado. Preconceito racial,sexual,social...e o pouco falado preconceito lingüístico.Se toda forma de rejeição é preconceito,esse também não pode ser ignorado.Essa é uma questão que os lingüistas de todo o mundo tentam resolver.Não é uma forma de descriminação mais importante que nenhuma das outras, mas ainda está tão arraigada na sociedade,que passa quase despercebida. Para quem não sabe, português não é norma culta.A gramática normativa não é a língua, é apenas uma descrição parcial dela.Diante da pluralidade cultural brasileira, ver o português como único é fechar os olhos para todas as culturas do país. Ao ser intolerante com a fala do outro, rejeitamos toda sua cultura e menosprezamos toda a sua história de vida. O mito de que é preciso saber gramática para falar e escrever bem já está mais do que ultrapassado. Se fosse assim,todo o gramático seria um grande escritor(o que está longe de ser verdade), e todos os bons escritores seriam especialistas em gramática.Para quem sabe um pouco do assunto,procurem lembrar o que grandes nomes da nossa literatura como Carlos Drummond,Rubem Braga e Machado de Assis achavam sobre a gramática. Ou será que vão achar algum grande defeito para eles também?Um ensino gramaticalista abafa justamente os talentos naturais, gera insegurança nas pessoas e aversão ao estudo do idioma. O livro de Marcos Bagno ‘Preconceito lingüístico;o que é,como se faz’, explica muito melhor que eu todo esse preconceito e como ele repercute social e politicamente.
Adquira um conceito bom,não outro preconceito inutil.Tente.Procure sentir amor.
Ninguém quer ter nas mãos a culpa da frustração dos outros."Não estou fazendo nada errado,só estou tentando deixar as coisas um poucos mais bonitas"

Wednesday, November 25, 2009


Tudo novo de novo!
Enfim, mais sonhos do que dúvidas.
Hoje acordei com uma sensação de nostalgia
Um nózinho na garganta de quando sabemos que alguma coisa está indo embora
E acho que sou eu
É quando precisamos nos despedir de uma parte nossa, mesmo quando gostamos muito dela
Pra viver algo novo, um novo ciclo, um novo ritmo
E aquele medo e expectativa de não-sei-o-quê...

"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim"
(Paulinho Moska)

Tuesday, November 10, 2009

Na biblioteca...

Universo de mentes distantes
pensamentos de distintas paralelas
Oceano de ilhas solitárias
Um olhar encontro outro.
Pausa.
Será uma ponte?

Thursday, January 08, 2009

"O que eu quero...é sossego"

Talento é uma coisa curiosa.Um novo olhar sob algo já visto várias vezes.Fazer do comum um espetáculo.Ou,ainda melhor, criar um espetáculo.Criar.Uma palavra,um cheiro,uma vida inteira,e, de repente, a inspiração.Uma obra criada é resultado das experiências vividas por uma só pessoa,pode ser reproduzida várias vezes, mas nunca mais feita com aquele mesmo sentimento.
Eu estou esperando minha veia artística estourar.Mas,sinceramente, está demorando um pouco.Ainda não tive nenhuma idéia original.Não tenho talento para música,nem números,nem nada que eu já tenha conhecido.Também não escrevo nada realmente relevante.Nunca decoro piadas e meu último miojo quase acarretou na explosão do apartamento.A verdade é que não tenho muito jeito para nada.E não dá pra forçar.
Ainda pior do que não ter talento, é forçar algum.Tentar convencer os outros de que,observem, sou um gênio não descoberto.Por outro lado,quando escuto aquelas pessoas que dizem não gostar de nada,que fazem qualquer coisa que seja lucrativa,penso: que vida vazia,ainda bem que eu...ops,não sei fazer nada.
Acho que estou na crise da metade da meia idade.

Queria você bem miudinha...mas tão miudinha que eu pudesse cuidar de você o tempo todo.E a noite eu estaria lá se você tivesse medo,te guardaria na palma da mão e esperaria acordada até te ver dormindo com sua respiração tranquila de anjo do céu.
Mas sua casa é exatamente o céu.É o seu lugar, o infinito azul que você merece e que eu nunca vou poder oferecer.Seu mundo é gigante e não cabe na minha gaveta.Então eu peço ajuda aos maiores.Que te guardem na palma da mão quando você sentir medo.Que estejam com você todas as horas dos seus dias.Que façam com que você viva momentos de felicidade tão intensos que quando a tristeza chegar ela se sinta deslocada perto de você.Eu peço ,por favor, que ninguém te magoe.Que você não se sinta só.Que você tenha sonhos lindos.Que a chuva espere até você chegar em casa.Que não adoeça.Que tenha bons amigos.Que não te falte nada.E assim fico tentando barganhar com o céu...pedindo que,se for necessário,que punam a mim.
Talvez seja bobo ou inútil,eu não sei.Sei que é amor.E eu queria que, de alguma forma, chegasse a você.

Monday, December 29, 2008

Eu pensei que eu fosse a dona da poesia.Sentia que ela nascesse dentro de mim como um pingo d'água,que crescesse lentamente,como um rio, e que fosse tomando força até virar enchente.
Então eu a deixava transbordar.E até uma nova cheia se formar,não existia poesia.Nada concreto a não ser respingos de sentimentos.
Demorou para eu entender que a poesia brotava de todos os lugares,alheia a minha vontade.Que era eu quem transbordava e somente nela encontrava um lugar de repouso.De vez em quando ela me deixa viajar nas suas asas,mas é uma ave livre.Aparece apenas quando precisa me ensinar a voar.

Monday, December 15, 2008

Está difícil de manter qualquer ordem nos meus pensamentos. Eles vão para aonde querem,sem meu consentimento.Eu sempre aviso antes: aí não.E quando dou por mim já estou lá no meio de tudo de novo.Você já sentiu que tem dois mundos dentro de você?São tão opostos que é impossível entender como os dois coexistem em uma só alma.E quando se está em um deles a impressão que se tem é de que nunca se vai voltar para o outro...talvez ele nem exista mais.
O que eu queria mesmo é imitar esse ar de tranquilidade das pessoas na rua.Andam pelas calçadas com aquela naturalidade...como se o mundo todo acabasse ali,ao final da esquina.E eu me perco imaginando todas as esquinas que nunca vou conhecer.Queria escrever toda minha confusão e deixa-la para sempre aqui nessas letras.Como se exteriorizar fosse esquecer.Teriamos pessoas mais sinceras assim?Deus que nos deu a alma não ensinou como se faz para alivia-la...

Wednesday, November 05, 2008

Estou aprendendo que não tenho nada que seja,de fato,meu.Nada que não me possa ser roubado ou ir embora por vontade própria.Estou começando a aceitar a efemeridade do eterno-o palco é mesmo de papelão.E porque ainda preciso aprender muito,me escondo de vez em quando.
Então não tenho nada,mas você ainda está lá.E ao conhecer uma pessoa nova eu rezo baixinho pra que ela carregue nos olhos um pouco do que você carrega.Mas eu olho ao redor e...casca,casca,casca.E você.Então eu acredito mais uma vez.

Eu vejo as flores no cantinho do chão
diferentes de tudo mais que há no mundo
vermelhas e inspiradoras
vermelhas e convidativas
e elas cantam em coro:
abrimos a porta da vida pra você entrar
E diante desse convite inesperado
a paixão,o conflito e o desejado
Eu lhes respondo
-Não,obrigado
é que hoje estou cansado