Monday, December 29, 2008

Eu pensei que eu fosse a dona da poesia.Sentia que ela nascesse dentro de mim como um pingo d'água,que crescesse lentamente,como um rio, e que fosse tomando força até virar enchente.
Então eu a deixava transbordar.E até uma nova cheia se formar,não existia poesia.Nada concreto a não ser respingos de sentimentos.
Demorou para eu entender que a poesia brotava de todos os lugares,alheia a minha vontade.Que era eu quem transbordava e somente nela encontrava um lugar de repouso.De vez em quando ela me deixa viajar nas suas asas,mas é uma ave livre.Aparece apenas quando precisa me ensinar a voar.

Monday, December 15, 2008

Está difícil de manter qualquer ordem nos meus pensamentos. Eles vão para aonde querem,sem meu consentimento.Eu sempre aviso antes: aí não.E quando dou por mim já estou lá no meio de tudo de novo.Você já sentiu que tem dois mundos dentro de você?São tão opostos que é impossível entender como os dois coexistem em uma só alma.E quando se está em um deles a impressão que se tem é de que nunca se vai voltar para o outro...talvez ele nem exista mais.
O que eu queria mesmo é imitar esse ar de tranquilidade das pessoas na rua.Andam pelas calçadas com aquela naturalidade...como se o mundo todo acabasse ali,ao final da esquina.E eu me perco imaginando todas as esquinas que nunca vou conhecer.Queria escrever toda minha confusão e deixa-la para sempre aqui nessas letras.Como se exteriorizar fosse esquecer.Teriamos pessoas mais sinceras assim?Deus que nos deu a alma não ensinou como se faz para alivia-la...