Minha inspiração foi embora.
Foi assim, sem dizer adeus.
Levou embora meus últimos poemas
que estavam na gaveta
desafinou meu violão e tirou a tinta do quadro na parede
Foi-se embora com um ar de "nessa vida eu não fico"
Achando tudo muito pouco para ela
Sua partida, no entanto, não me foi nenhuma surpresa
Há muito ela me avisava: não vá se misturar com os comuns
E tarde da noite, quando eu voltava para casa
embreagada de tanta mediocridade
Ela me mandava dormir no sofá
Sem nem um versinho para me cobrir
Quando descobriu minhas cartas
cheias de clichês e frases de efeito
foi que a paixão se acabou
disse que eu não era o eu lirico que ela tanto sonhara
Até que num dia cinza, sem nenhuma nuvem de poesia no céu
sentou-se a mesa,tomou seu último gole de café,
bateu a xícara com firmeza e saiu.
Assim, sem me dirigir um último olhar
Eu também não a encarei
Fiquei de costas esperando ouvir o barulho da porta batendo
E depois corri para sua cadeira
para ver se conseguia escrever
uma ultima estrofe
com o restinho do seu perfume
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